A lição e a cantora careca

De Eugène Ionesco

Um dos grandes autores da dramaturgia mundial, o romeno Eugène Ionesco é famoso por ridicularizar as situações mais banais, retratando de uma forma tangível a solidão do ser humano e a insignificância de sua existência. Dois de seus textos de maior sucesso, “A Lição” e “A Cantora Careca”, ganharam os palcos cariocas encenados em um só espetáculo, sob direção de Camilla Amado e Delson Antunes e com elenco composto por nomes como Nelson Xavier, Cecil Thiré, Thelma Reston, Renata Paschoal, Maria Gladys e Roberto Frota. A estreia aconteceu em março no Teatro Maison de France, em temporada de 3 meses, encerrando em temporada popular neste mesmo teatro. Posteriormente estreou no Teatro Fashion Mall, e se apresentou nos Festivais de Rezende e Angra dos Reis (Fita).

Em 1.957, quando o teatro de Ionesco foi introduzido no Brasil pelo ator, mímico e tradutor Luís de Lima, uma montagem dos mesmos textos de agora apresentou ao público a jovem atriz Camilla Amado. Aos 17 anos, ela substituiu Glauce Rocha nos dois espetáculos.

A Lição
Uma aluna (Renata Paschoal) busca seu “doutorado total” e procura um experiente professor (Nelson Xavier) de aulas particulares, que domina todos os assuntos. No processo de aprendizagem, em meio às aulas de Geografia, Matemática, Filologia, Filosofia, surgem – a partir de diálogos absurdos – as relações de poder, a busca pelo conhecimento, a ignorância, as fantasias secretas, o medo, a presunção, a dor, o problema universal da falha na comunicação, a dissimulação, a caricatura do real e tudo o mais que compõe a condição humana, exposto de forma cômica, algumas vezes, mas também dramática, e até trágica. Tudo isso sob a observação atenta, cúmplice e também a interferência de uma governanta (Cecil Thiré) quase onisciente.

A Cantora Careca

A Cantora Careca tem início com um diálogo sobre banalidades do cotidiano entre os donos da casa, Sr. e Sra. Smith (Cecil Thiré e Thelma Reston), em uma sala de jantar burguesa, logo depois de terminarem a refeição. O diálogo entre o casal evolui através de falas sem um nexo compreensível, quando são interrompidos por Mary (Maria Gladys), a empregada, anunciando a visita do Sr. e Sra. Martin (Nelson Xavier e Renata Paschoal) para jantar. Roberto Frota faz o bombeiro.

Ficha técnica

Texto: Eugene Ionesco
Direção: Camilla Amado e Delson Antunes
Elenco: Nelson Xavier, Cecil Thiré, Thelma Reston, Renata Paschoal
Maria Gladys e Roberto Frota
Cenografia: Fernando Mello da Costa
Figurinos: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Produção: Renata Paschoal
Realização: Forte Filmes
Patrocínios: Eletrobrás, Construtora Queiroz Galvão e Premio Myriam Muniz.