A mais forte

De August Strindberg com Renata Paschoal e Rita Elmor Direção e concepção Camila Amado

O texto teatral A MAIS FORTE, de August Strindberb, foi escrito por volta de 1.888 e conta a história onde a paixão, amor, ódio e medo se confundem, formando um enredo em que cada olhar, cada gesto tem um significado muito mais profundo do que deixa transparecer. Na peça, cabe ao espectador resolver, com sua imaginação e história pessoal, o desentrelaçar do drama.

A MAIS FORTE faz parte da coletânea de peças curtas de August Strindberg e é em muitos países aclamada como a obra-prima entre os monólogos. Quando se diz Strindberg, em que se pensa? Num incessante ajuste de contas entre indivíduos que se defrontam, numa contínua reivindicação, num contínuo protesto. Indivíduos que lançam à cara uns dos outros a conta de todos os seus atos censuráveis, atos do passado que mancham o presente e comprometem o futuro.

Em A MAIS FORTE vemos o encontro entre duas atrizes – Sra. X, casada e Srta. Y, solteira – rivais na carreira e na disputa pelo mesmo homem. O que parece ser apenas um encontro social ou então, um simples confronto de egos, acaba por revelar o universo de fragilidade e solidão dessas duas mulheres que se vêem obrigadas a confrontar-se com suas próprias inseguranças e frustrações.
O espectador é levado a se indagar sobre os fatos que são ou não são importantes na vida ou quando se escolhe um caminho a seguir.

A peça provoca um questionamento interno em cada ser e é praticamente impossível não fazer perguntas a si próprio como: Onde reside a força do ser humano? Quando somos mais fortes? Quando calamos e cedemos, ou quando nos deixamos tomar pelos sentimentos que nos arrastam em turbilhão? Até que ponto lutar vale a pena? Será o mais acertado? Até que ponto nossos sonhos são mesmo nossos e onde passam a ser dos outros?

STRINDBERG – Por Camilla Amado

Strindberg nos oferece a mulher que ainda não teve tempo de se igualar ao homem em termos de desenvolvimento, mas mesmo assim diz: “Sou mais inteligente do que você”. Ela tem a mentalidade criada da classe média, mesmo não sendo egressa da classe média. Ela não tem o ponto de vista aristocrático do homem, porém está em ascensão visando o poder. Encontra-se naquele momento do “quero alguma coisa embora não saiba o que é” – compelida pelo momento histórico – anos 20, a desejar mais do que suas capacidade lhe permite. Para obter isso ela mentirá, roubará – fará qualquer coisa.

Strindberg é considerado mais moderno do que qualquer outro autor. Parece mais contemporâneo que Ibsen ou Tchekhov. Moderno pode ser classificado como a crise imediata na alma de alguém. Strindberg viu que o mundo era fragmentado e viu que todas as regras para a vida pessoal e comunitária tinham sido rompidas, como vemos atualmente. Entendeu e previu as forças que irromperiam em nossas vidas.

Strindberg, durante toda a sua carreira, buscou a verdade do homem. O homem está sozinho buscando salvação. “A Mais Forte” é uma peça sobre a verdade. Qual é a verdade? A descoberta de uma verdade que desmorona a vida de uma pessoa. A liberdade de mentir e viver na sombra. O confronto de duas verdades afinal reveladas. As opções diante da verdade. O medo da verdade. O prazer cruel da verdade. O encontro das duas mulheres: uma casada, feliz, com filhos, outra solteira, solitária, na véspera de Natal. A descoberta paulatina da verdade de suas vidas entrelaçadas. A perda da ilusão de uma, a intimidade com a realidade da outra. A surpreendida esposa fragilizada pela evidência da traição. A força da outra que sempre lidou com dados reais em sua vida fragmentada. A força da casada que aceita a situação quando revelada. A força da verdade.

Amante e esposa em um encontro descrito com humor e originalidade.
Com Strindberg não pensamos, estamos interpretando apenas essa personagem. As personagens representam milhares de pessoas que enfrentam esses problemas, reproduzindo sempre algum aspecto da sociedade.
O espetáculo estreou no Espaço SESC Sala Multiuso em janeiro 2008. Permaneceu 4 semanas em cartaz de sexta a domingo. Devido ao sucesso o espetáculo acontecia em sessões duplas.

Ficha técnica

Direção e Concepção: CAMILLA AMADO
Co-Direção: DELSON ANTUNES
Atrizes: RENATA PASCHOAL e RITA ELMOR
Cenografia: RONALD TEIXEIRA
Figurinos: MARCELO MARQUES
Iluminação: LUIS PAULO NENEN
Fotos: ALMIR REIS
Assessoria de Imprensa: LEANDRO BERTHOLINI
Direção de Produção: JOANA CANALONGA
Produção: FORTE PRODUÇÕES ARTÍSTICAS