Os 8 Magníficos

Um filme de Domingos Oliveira

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Um grupo de atores se reuniu numa festa e marcou outra. Eles eram oito. Famosíssimos, interessantíssimos e dispostíssimos a passar o dia juntos e conversar até o entardecer sobre esse assunto misterioso e controverso, que é a alma do ator. Assim foi feito, numa sala da casa de um deles, que dava para um mar imenso. Foi divertidíssimo e surpreendente. Tento explicar, mas antes digo o nome dos atores, em ordem alfabética:
Alexandre Nero,
Carolina Dieckmann,
Eduardo Moscovis,
Fernanda Torres,
Maria Ribeiro,
Mateus Solano,
Sophie Charlotte,
Wagner Moura.

Não eram atores quaisquer. Quando olhei a lista acima, me espantei. Eram os melhores atores da sua geração. Diferentíssimos, mas os melhores. O simples ato de coloca-los todos em uma imagem só, justificava o projeto de filmagem, um documentário, sobre o ator e o seu complexo funcionamento interno. No início do filme aparece com maior destaque uma frase:
“ESTE DOCUMENTÁRIO FOI FEITO EXCLUSIVAMENTE PARA ATORES E AQUELES QUE SE INTERESSAM PELO SEU PROCESSO INTERNO.”

Pensado isso, lancei meu trabalho. Nunca tinha feito um documentário. E já devia ter feito algum. Porque o meu maior prazer, em meus filmes de ficção, é exatamente o embate da realidade, que sempre obriga a desfazer as formas pré-concebidas. Ora bolas, um documentário é só o embate com a realidade. Convidei os meus dois assistentes prediletos, a atriz Priscilla Rozenbaum e o diretor Matheus Souza, e fizemos um roteiro pequeno, mas que pudesse guiar nosso dia de filmagem. Espalhamos garrafas de boa bebida e chamamos dois fotógrafos espertíssimos, Fernando Young (chamado pelos amigos de Thor) e Manuel Aguas. Propomos aos atores o roteirinho. Pensem bem: oito cabeças brilhantes.Portanto, ninguém concordava com tudo. Todos queriam começar a filmar, eu também. Então retiramos o roteiro. Deixamos sobre as mesasapenas alguns poemas e anedotas. As duas câmeras ficaram ligadas o tempo todo. Ninguém esperou o almoço para começar o uísque e as filosofias sobre o mais belo sonho do homem, que é o Teatro. Era muito engraçado que todos tinham senso de humor e algumas ideias brilhantes foram ditas talvez sem querer. Era como no teatro, num trabalho de grupo, uma conversa agradável, sem barreiras, de coração aberto, mostrando ao público uma coisa que nunca viram.

Resultaram doze horas de material filmado, bastante caótico, mas sempre charmoso. Eu não sabia onde aquilo ia dar, mas pretendia alto: um curta-metragem para o Festival do Rio. No calor da edição, fomos surpreendidos. Quando vimos, o editor (Victor) e eu, tínhamos 50 minutos montados. Mais longe de um curta do que de um documentário de longa metragem, que não era genial, mas tinha momentos de uma inesperada emoção. Editei como se fosse Godard, exagerando na liberdade. Teríamos lugar no proximíssimo Festival do Rio? Talvez na mostra não-competitiva, horsconcour. Foi exatamente onde o festival nos colocou: “tudo o que é divino é sem esforço”, diziam os gregos.

Ficha Técnica

Fotografia: Fernando Young e Manuel Aguas
Edição: Victor Magrath
Som Direto: Antonio K Grosso
Edição de som e Mixagem: Bernardo Gebara
Direção de Arte: Miguel Pinto Guimaraes e Marcella Muller
Figurinos: Marina Franco
Maquiagem: Nat Rosa
Designer: Eduardo Vilela
Produtora Executiva: Renata Paschoal
Produção de Finalização: Breno Soares
Produção: Teatro Ilustre
Direção: Domingos Oliveira
Assistência de Direção: Matheus Souza e Priscilla Rozenbaum
Foquista: Felipe Ovelha
2º Assistente de Câmera: Marcio Lucas
Microfonista: Yron Batista
Assessoria de Impresa: Vanessa Cardoso
Distribuição: Forte Filmes